"A Taturana" - Por Guilherme "Pará" Brasil
[Segue o relato dos últimos dias de aula de 2002 no colégio Olavo Bilac. Esta é a quarta parte.]
Aula de Geometria. E que droga (já faz muito tempo que escrevi a última pontuação, depois de “Geometria”). Professora Rosa. Segundo os próprios alunos, essa é a chamada aula de caligrafia, porque a galera só copia, copia... compulsória e exaustivamente, até as forças se exaurirem. Como toda jacutinga voa de duas maneiras, a professora é muito meiga e querida.
Cheguei só nessa terceira aula, não trouxe nem fichário... que vagabundo que estou ficando. Está um pouquinho gélido hoje, as pessoas em maioria estão de agasalho.
Da parte traseira da classe tem-se uma visão talvez melhor do que da parte dianteira. E, realmente, daqui dá para ver tudo. Por incrível que pareça está todo mundo prestando atenção na aula. Menos o submundo e eu. Claro.
A Marli (bedel ou fiscal ou mais popularmente conhecida como “tiazinha” do corredor) interrompeu a aula para pedir à professora para ficar hoje à tarde na escola. Ela disse que não, pois ontem já ficara das 13h até as 17h. Maçante. Melhor do que ficar em casa assistindo a programas de fofoca na televisão.
6ª e última aula – Inglês
Junto com a quinta aula, essa é a sexta. Estou no chão, encostado na carteira da Marina, enquanto meus amigos vêem TV. Assistem a uns vídeos de seriados americanos que a “teacher” nos trouxe. Estamos nessa desde a última aula.
Quem nos ensina Inglês é a professora Cida, muito gente boa. O problema é que quase todo mundo tem o curso dessa língua completo, ou está terminando fora. Daí ninguém presta atenção. Porém hoje todos estão quietos, vendo os vídeos: “The Simpson”, “Fresh Prince of Bel-Air” e agora, por último, “Full House”. Tudo com “closed captions”.
Muita gente já saiu sem permissão, “mataram” aula. Creio ser esse o real motivo por que as pessoas estão sem fazer muito barulho. Também já é a última aula, já estamos cansados, com fome e sem ânimo (isso está parecendo relato de refém).
É verdade, realmente acabou. A partir dos próximos dias veremos a escola de uma outra perspectiva: nós, com roupas normais e ela sujeita às mudanças de um tempo vindouro. Algumas amizades arraigaram-se, outras pouco aderiram ao peito. Mas todas sempre nos remontarão aos tempos de paz e alegria de uma vida que parecerá um sonho.

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